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RELATO DE EXPERIÊNCIA / EXPERIENCE REPORT
Segundo Neri (1995), uma velhice bem-sucedida é uma condição de bem-estar físico ligada às circunstâncias da história pessoal e do potencial de plasticidade de cada indivíduo, mas também não pode estar alijada das condições sociais e dos valores existentes no ambiente em que esse indivíduo envelhece. Baltes et al. (1995) destacam o fato de que o envelhecimento é um processo multidimensional e multidirecional, no qual ganhos, perdas e momentos de estabilidade não só se alternam, como também podem ser concomitantes.
Rowe e Kahn (1999, p.xii/39), após definirem a expressão envelhecimento bem-sucedido como um processo em que encontramos “vários fatores que permitem aos indivíduos continuar a funcionar efetivamente, tanto física quanto mentalmente”, estabelecem seus três comportamentos principais: engajar-se na vida, evitar doenças e manter em alto padrão as funções física e cognitiva. Abordando cada etapa desses comportamentos, os autores chamam a atenção para a importância do ato de aprender para as funções mentais. Afirmam, ainda, que é possível os idosos se interessarem e terem sucesso no contato com novos conhecimentos, quebrando o mito de que a aprendizagem na velhice é impossível.
Stano (2001) aponta o contexto escolar como um espaço possível para a construção da qualidade de vida, pressupondo participação, compromisso, inserção e renovação de significados, em uma permanente busca, por parte do ser humano, enquanto ser inacabado, além de poder intensificar a auto-eficácia (Rowe, Kahn, 1999) – ou seja, a crença em si mesmo e na sua capacidade de aceitar e vencer desafios. Neri e Cachioni (1999) alertam para a crescente demanda por atividades educacionais por parte de maiores de 60 anos, demanda esta que pode ser exemplificada pelo trabalho realizado na Escola Municipal de Música Prof. Weberty Bernardino Aniceto, em Nilópolis – município no Estado do Rio de Janeiro (doravante EMN) –, onde a turma específica para terceira idade começou com 15 alunos. Hoje já existem quatro turmas, com aproximadamente 40 alunos cada e lista de espera para novos grupos.
Assim, se há procura pelo aprendizado, e se aprender diferentes habilidades e desenvolver competências mantém/intensifica o padrão das funções cognitivas – sendo tal manutenção/intensificação um dos pontos-chave para um processo de velhice bem-sucedida – resta-nos saber de que forma o aprendizado musical pode contribuir para o processo e para uma melhor qualidade de vida. Considera-se aqui qualidade de vida a
MÚSICA E SAÚDE
Alguns exemplos dessa vertente podem ser dados através de estudos sobre o efeito da música em pacientes portadores do Mal de Alzheimer (Bright, 2003), com desordens psiquiátricas, com enfarte agudo do miocárdio e em reabilitação cardíaca, com dores crônicas provenientes de osteoartrite, parkinsonianos, queimados, com doentes terminais ou em períodos pós-operatórios. Assinale-se ainda a importância do uso da música em exercícios físicos (para estes temas e seguintes, vide www.ncbi.nlm.nih.gov – Medline/Pubmed).
Contudo, as pesquisas científicas não se prendem apenas aos aspectos terapêuticos ou preventivos do uso da música em tratamentos e cuidados. Uma outra vertente de estudo encontra seu objeto na própria música: a Neurociência Cognitiva da Música. Neste campo do conhecimento são estudados os processos cognitivos relacionados à percepção e à apreensão de sons e melodias, observando-se os circuitos neurais envolvidos na criação e/ou no processamento da música (Altenmüller, 2004).
Também estão presentes estudos sobre as modificações geradas pelo envelhecimento no trabalho do músico: observam-se a performance, o controle motor fino, a execução exata de ritmos, a memorização de partituras e até mesmo a influência do tipo de atividade exercida pelo músico em sua duração de vida (como exemplo, a vida curta e estressante dos músicos de jazz ou a vida longa das sopranos).
Porém, a área que mais se destaca é justamente a relativa à identificação dos procedimentos mentais relacionados ao processamento musical por parte dos indivíduos, de como nosso cérebro funciona ao ouvir ou produzir música. Em recente artigo, Peretz e Zatorre (2005) apresentam um relato detalhado sobre a situação atual das pesquisas sobre o tema, alertando que se trata de um campo rico e fecundo de investigação sobre percepção, memória, emoção e performance. Embora existam textos de mais de um século, somente nas últimas décadas o processamento musical se tornou uma área de estudo sistematizado, em que se destaca a procura de entendimento sobre a organização do cérebro musical e a possível revelação de como se dá o trabalho do músico, em termos mentais.
Zatorre (2003) declara que a Neurociência Cognitiva da Música ainda está engatinhando em suas pesquisas e chama a atenção para o fato de que é necessário definir bem o aspecto específico da função musical a ser estudado e, quando possível, identificar os componentes cognitivos associados a essa função. Mas o volume de pesquisas no campo já é extenso, o que pode ser comprovado pelos dois volumes dos Anais da Academia de Ciência de Nova York dedicados só ao tema (Peretz, Zatorre, 2001; Avanzini, 2003).
Janata e Grafton (2003) ressaltam que a música consiste precisamente de seqüências de movimento e som que engajam toda a mente em múltiplas experiências. Devido à íntima relação música-movimento, percepção-ação, a música proporciona uma maneira de examinar a organização cerebral de comportamentos complexos. Já está mais do que definido que a percepção musical não se relaciona a apenas um hemisfério cerebral, mas a uma rede neural que se ativa durante a escuta (Altenmüller, 2001; Peretz, 2002). Também ficou comprovado que as áreas sensorio-motoras corticais são alteradas, havendo uma intensa reorganização plástica cerebral proveniente do aprendizado musical (Pantev, 2003).
A princípio, pode-se pensar que essas modificações neurais e plasticidade se dão porque o aprendizado musical ocorre em fases em que o cérebro e seus componentes ainda estão em processo de formação (em geral, quando criança, em torno dos cinco a nove anos). Porém, em recente pesquisa, Pascual-Leone (2001) questiona essa idéia, selecionando indivíduos de diversas idades que não tocavam nenhum instrumento musical, não sabiam datilografar usando todos os dedos e nem tinham empregos que exigissem habilidades manuais. A esses indivíduos foi ensinada uma seqüência de notas, uma para cada dedo (a tradicional relação, em alguns métodos para piano e teclado, das notas musicais do/ré/mi/fá/sol com, respectivamente, polegar/indicador/médio/anular/ mínimo para a mão direita e mínimo/anular/médio/indicador/polegar para a mão esquerda). Eles foram ainda orientados a estudar tal seqüência por duas horas diárias, obedecendo a critérios estabelecidos pelo pesquisador: tocar cada nota durante o mesmo tempo e aplicar o mesmo espaço de intervalo entre notas diferentes. Em uma segunda etapa, o grupo foi dividido em dois subgrupos, sendo que apenas um continuou a treinar.
Utilizando estimulação magnética transcranial focal para mapear as áreas corticais envolvidas na tarefa, testes foram realizados antes, durante e depois dos treinos. Os resultados apontaram que, para a aquisição de habilidades motoras indispensáveis à execução do exercício, foi necessária uma reorganização do córtex motor referente aos músculos envolvidos na tarefa. Nos casos dos indivíduos que pararam o treino, houve uma espécie de adormecimento das funções ativadas.
Para o autor, o treino desvelou conexões previamente existentes que são o ponto de partida para novas e significativas transformações estruturais em longo prazo, conforme as habilidades musicais se tornem automáticas e apreendidas – ou seja, após um processo de aprendizado musical mais longo e mais consciente do que a mera repetição usada na pesquisa.
Se a questão é aprendizado e prática constante, e se essa prática proporciona consideráveis modificações neurofisiológicas no indivíduo, seriam tais mudanças passíveis de se suceder também no cérebro que envelhece? Sloboda (2003) afirma que os seres de todas as idades têm a capacidade de processar o material sonoro tanto absoluta quanto relativamente, e que essas habilidades podem ser desenvolvidas com o treino em qualquer idade.
EDUCAÇÃO MUSICAL COM IDOSOS
A ótica mais freqüente se refere a benefícios que a expressão artística possibilita, seja em termos de gratificação/auto-estima (Hanser, 1990; Wikstrom, 2004), seja pelo viés da intergeracionalidade entre alunos idosos e seus professores mais jovens (Ferrigno, 2003), ou pelo reconhecimento de que as atividades musicais propiciam atitudes positivas. Elas têm o poder de preencher necessidades pessoais, de participação e companheirismo e contribuem para o desenvolvimento pessoal (Boswell, 1992; Porter, 2001).
Também são comuns entrevistas e questionários que procuram identificar as preferências musicais dos idosos (Pickles, 2003), relacionando-as à existência ou não de um aprendizado musical enquanto jovens e crianças (Flowers Murphy, 2001). Porém, embora o tema venha sendo abordado há várias décadas, pouco tem sido estudado com relação ao processo de aprendizado em si mesmo: o idoso aprende ou são apenas atividades lúdicas?
Clingman (1990) já alertava que a música é parte de um processo de aprendizado ao longo da vida e que os idosos necessitavam de atividades que proporcionassem a eles um sentimento de pertencer ao mundo, uma liberação de tensões e emoções negativas. O autor enfatizava que o indivíduo e sua qualidade de vida deveriam sobrepujar a técnica, mas nunca o professor poderia descuidar do aprendizado e da importância dos valores e conceitos musicais. Sem dúvida, esse equilíbrio é um grande desafio para quem trabalha com idosos.
Para Achilles (1992), o professor deve compreender o desenvolvimento e a forma de aprendizado dos indivíduos idosos, a fim de conseguir efetivamente realizar um trabalho musical com os mesmos. Ressalta que o envolvimento no projeto de aprendizado musical em si é uma das mais importantes razões pelas quais o idoso decide começar o estudo, muito mais do que benefícios físicos e de saúde secundários. Também Myers (1992) dá destaque à existência de um objetivo musical específico – seja cantar melhor no coral que freqüenta ou tocar a música preferida no instrumento de escolha, etc.
Darrough (1992) realça a existência de mitos e preconceitos com relação ao fato de o idoso não ser capaz de aprender um instrumento, já que teria a preferência por atividades passivas de escuta musical e estaria preso a determinados gêneros e estilos, dificultando o aprendizado. O autor acrescenta que tal idéia é irreal e reforça que, ao perguntar a seu grupo de alunos qual seria a categoria de sua experiência no coral, o termo musical foi o mais escolhido, ultrapassando as classificações como recreacional ou terapêutico.
Tivemos a oportunidade de comprovar esse objetivo musical com 140 alunos da EMN, que fazem parte das quatro turmas que lá cursam Musicalização e Teoria Musical, na faixa de 50 a 92 anos. As turmas são para a terceira idade, sendo aceitos alunos entre 50 e 60 anos, em caso de existência de vagas, ou encaminhados por professores de outras turmas, devido a dificuldades no aprendizado nas turmas regulares.
Quando os alunos ingressam nas turmas, é perguntada a razão pela qual escolheram o aprendizado musical, em uma entrevista também com informações pessoais: todos ingressaram na escola com o desejo de tocar um determinado instrumento musical (teclado, piano e violão na maioria, mas também estão presentes a flauta, a percussão e o canto), embora saibam que o aprendizado e as atividades realizadas durante o curso podem gerar outros resultados além dos musicais. As razões da escolha pela música se dividem entre o desejo não realizado desde criança de aprender o instrumento escolhido, a vontade de melhorar sua participação nas diversas instituições religiosas existentes no município ou até mesmo a necessidade de essas instituições terem um grupo musical para o acompanhamento de cultos, missas e ofícios.
Perante a procura, infelizmente, os autores (Ernst, Emmons, 1992; Orlofsky, Smith, 1997; Rowe, Kahn, 1999; Ernst, 2001) ressaltam o pouco ajustamento curricular e de recursos pedagógicos, o que indica a inadequação de algumas instituições de ensino na educação de idosos, mais de dez anos após a promulgação da Lei nº 8.842, de 04/01/94 – que no Capítulo IV, artigo 10, item III, propõe adequar currículos, metodologias e material didático nos programas educacionais para idosos. São poucas as propostas de educação musical específicas para a terceira idade e os professores (Orlofsky, Smith, 1997) apontam a dificuldade de encontrar material para os principiantes, já que tais livros normalmente são voltados para crianças.
Diversos autores dedicam pesquisas às modificações mentais e físicas provenientes do envelhecimento (Guerreiro, 2001; Neri, 2002; Forlenza, Caramelli, 2004), mas, como Rowe e Kahn (1999) ressaltam, se dificuldades existem, são limites a se romper através da persistência no aprendizado.
Roy Ernst, membro do Departamento de Educação Musical da Eastman School of Music (Rochester, EUA), fundou em 1991 a New Horizons Band, uma banda formada só com idosos até então leigos em música. Estes vêm até hoje fazendo suas apresentações com o apoio da Escola de Música e da Escola de Medicina e Odontologia de Rochester. O projeto conta com cinco mil componentes distribuídos em mais de 100 bandas entre EUA e Canadá e tem um site próprio (disponível em www.newhorizonsband.com).
Ernst relata sua experiência com o ensino de música (1992, 2001) e declara que não se pode negar os benefícios sociais, mentais e físicos das pessoas que freqüentam suas aulas, além, é claro, dos benefícios musicais. Destaca que os idosos vêm motivados pelo prazer de aprender música e não porque alguém deseja que eles aprendam, o que gera um comprometimento e faz com que eles estejam sempre dispostos não só para as aulas como também para os ensaios extras (muitos chegam uma hora antes da hora marcada), além de praticarem constantemente.
Para o autor, os indivíduos que começam a aprender música quando idosos não terão o mesmo patamar técnico que poderiam ter se tivessem iniciado mais cedo, mas a experiência e a bagagem musicais que têm contribuem bastante para uma questão crucial em música, que é a interpretação de uma peça musical. Assim, é necessário controlar a obsessão pela perfeição e compreender que o padrão passa a ser aquele que dê a eles prazer e sentido de realização – ou, como afirma, o melhor que possam fazer é sempre bom o suficiente: “Your best is always good enough” (Ernst, 2001, p. 48-49).
Sua metodologia dá ênfase ao cantar e aos movimentos corporais rítmicos, abordando tocar de ouvido (tocar sem o apoio de partituras), improvisar e compor canções originais. Após quatro semanas de estudo, é introduzida a notação musical (conjunto de caracteres que tradicionalmente possibilitam a escrita e a leitura de uma partitura), mas através de músicas que eles já toquem e conheçam bem. Os alunos da banda têm aulas individuais no instrumento de escolha durante um mês e depois começam a prática coletiva (considerada ideal pelo autor), com o apoio das aulas individuais para o aprimoramento técnico.
Foram encontradas dificuldades no que concerne às mudanças vocais, à perda de audição e visão (dificuldade para ler partituras no tamanho original) e a problemas osteoarticulares (que algumas vezes geraram modificações nos instrumentos usados, já que a proposta é sempre de inclusão). O sentimento de desconforto perante as dificuldades diminuiu quando, ao olhar em volta, os idosos puderam ver outros com problemas iguais ou semelhantes. Contudo, o autor destaca que, assim como o envelhecimento, o aprendizado musical é um processo individual, portanto único e intransferível, devendo o professor estar atento a cada aluno.
Ernst (1992, 2001) salienta ainda que dois aspectos são importantes. O primeiro se refere ao grande desafio que é acomodar diferentes níveis de habilidades (e impossibilidades) na prática em conjunto cotidiana, daí a necessidade de que haja mais pesquisas sobre a maneira como o idoso aprende música. O segundo aspecto é a urgência em se dar visibilidade aos grupos de idosos que praticam música, mostrando-os como modelos que possam incentivar outras pessoas e outros professores a se reunir nesse trabalho.
Embora de destaque, os trabalhos com idosos não se resumem aos desenvolvidos nos EUA e Canadá. Também aqui no Brasil alguns professores vêm propondo grupos de ensino de música para os que envelheceram. Há onze anos, Uricoechea (1994) propunha uma aula específica para idosos na Escola de Música Villa Lobos (Rio de Janeiro), tendo em vista a existência de alunos que não se adaptavam aos cursos regulares. Tais aulas, a princípio de apoio, tinham como cerne a vivência rítmica (percussão corporal e instrumental), o desenvolvimento da percepção musical, a improvisação, o canto e o aprendizado de flauta doce. A autora aponta dificuldades de respiração e articulação para o instrumento de sopro, mas ressalta a melhora progressiva da mobilidade corporal e das funções motoras provenientes da prática percussiva.
Outro exemplo foi a experiência relatada por Bonilla (2002), em uma clínica geriátrica na periferia de Porto Alegre, onde aconteceram encontros musicais de uma hora de duração com setenta idosos entre 60 e 85 anos (90% mulheres). Foram realizadas atividades de apreciação musical, expressão corporal e canto, além da realização de uma peça teatral. A autora aponta dificuldades na memorização, na emissão vocal (devido às mudanças de registro provocadas pelo envelhecimento) e na percepção/execução rítmica.
Nossa experiência na EMN também é fruto inicial da inadequação de alguns alunos aos procedimentos e à metodologia tradicional do ensino de música (o rápido andamento das aulas, as provas constantes, a participação em exames práticos com a presença de uma banca examinadora etc.). A primeira turma de idosos foi criada em 2000 e, quando ingressamos na escola, em 2002, havia em torno de vinte alunos participando: apenas dois homens (cujo número já alcança hoje 20% do total).
A proposta atual é desenvolver uma nova forma de perceber o mundo sonoro e lidar com as diferentes possibilidades rítmico-melódicas existentes. Os alunos cursam dois períodos de musicalização, em que são abordados os conceitos de paisagem sonora (ambiente acústico que circunda o ser humano – Schafer, 2001), os parâmetros do som (características através das quais podemos distinguir um som de outro: duração, intensidade, altura, timbre e textura), a representação de sons e ritmos (seja pelo corpo, seja apenas pela voz, por instrumentos ou por uma escrita não-convencional), a improvisação e a composição, iniciando-se a prática em instrumentos de percussão e canto (para mais detalhes, vide Souza, 2002).
A partir desses elementos e através de um processo de transição, ingressam na disciplina teoria musical (nomenclatura utilizada na EMN para designar as aulas em que são abordadas as características da notação musical tradicional, a percepção auditiva e a execução rítmico-melódica) e no aprendizado de flauta doce, teclado e violão, mantendo o trabalho de canto e percussão.
A proposta de educação musical com idosos deve passar sempre pela consciência de que o processo se dá com o idoso e não para ele. Não se trata de dar conhecimentos, mas possibilitar condições para que o conhecimento se dê. Não se trata de memorizar conteúdos e repetir nomenclaturas, mas compreender seus significados e ser capaz de criar com eles. Assim, não são apenas habilidades e competências desenvolvidas, mas uma nova atitude, uma nova forma de perceber e agir no mundo, uma proposta de empowerment (“capacitação para o poder” – ou seja, atividades que busquem encorajar os idosos a descobrir talentos e a assumir um papel mais ativo em suas vidas - Guerreiro, 2001). CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para aqueles que se dedicam ao ensino de música com idosos, estar a par dos conhecimentos produzidos na área gerontológica e neurocientífica é primordial, pois nenhum processo educacional formal se dá sem que o professor conheça aquele a quem se propõe ensinar e a maneira como esse indivíduo aprende, a fim de melhor proporcionar situações de aprendizagem.
A educação musical com idosos é recente e o caminho a percorrer bem extenso, mas não há dúvidas de que, seja pela manutenção e intensificação das funções cognitivas, seja pela reorganização plástica cerebral ou pelos aspectos sociais e psicológicos, grande pode ser a contribuição da música para uma velhice bem-sucedida e com qualidade de vida, objetivo de tantos indivíduos atualmente.
NOTAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CLINGMAN, Allen. Adult Education in Music-Making: some choices for Canada. Music Education: Facing the Future, Finland, ISME, p.383-385, 1990.
ABSTRACT
Recebido para publicação em: 23/8/2005
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