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Textos sobre Envelhecimento
ISSN 1517-5928 versão impressa

 


Textos Envelhecimento v.8 n.3 Rio de Janeiro  2005

 

Saúde, doença e envelhecimento: representações sociais de um grupo de idosos da Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) – Feira de Santana-BA
Health, disease and aging: social representations of a group of old people from the Open University of Third Age (UATI) – Feira de Santana-BA

 

Maria Geralda Gomes Aguiar¹
Maria Angela Alves do Nascimento²

 

RESUMO
Trata-se de estudo analítico-crítico das representações sociais do processo saúde-doença e do envelhecimento, realizado com dez idosos participantes do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade, da Universidade Estadual de Feira de Santana, Bahia, inscritos na Oficina de Cidadania do Idoso. Tem como objetivos conhecer e analisar as concepções de saúde-doença e do processo de envelhecimento, sob a perspectiva dos idosos. Para a coleta de dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada. As concepções de saúde-doença remetem a uma visão biologicista; a saúde é reduzida ao equilíbrio corpo-mente, ao tempo em que se aponta para sua relação com as condições de qualidade vida e o próprio comprometimento dos idosos, como sujeitos sociais responsáveis pela adoção de um estilo de vida saudável; a concepção do envelhecimento como finitude muda a partir de sua inserção na UATI, no sentido do (re)começo de um pensar e um agir pautado em seus direitos e deveres como cidadãos.
PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento; Saúde do Idoso; Doença; Trabalhadores Rurais; Direitos Humanos; Feira de Santana, BA


INTRODUÇÃO
    Trabalhar com grupos de idosos não é uma coisa nova para nós. Foi, portanto, nossa experiência profissional na área da saúde coletiva dirigida a grupos sociais de determinadas comunidades – sobretudo trabalhadores rurais, representados maciçamente por maiores de 60 anos – que nos fez despertar e valorizar as formas de organização e mobilização dessa categoria num trabalho efetivo e participativo. Pautamo-nos na concepção de que o envelhecimento é um fenômeno multidimensional. Ultrapassamos, assim, a visão meramente biológica, que também a valoriza, estimulando e sensibilizando esses idosos para a luta em busca da sua cidadania como sujeitos ativos. Foi também o reconhecimento da heterogeneidade do processo de envelhecimento e da diversidade de experiências dos que o vivem, uma vez que é no cruzamento da história individual daquele que envelhece com a história da sua sociedade que se constroem modos de pensar, sentir e agir, capazes ou não de criar condições para se enfrentar os desafios da velhice, em especial os relativos à saúde-doença.
  

     Ao lado dessa experiência, uma das autoras coordena a Oficina Cidadania do Idoso – integrante das atividades socioeducativas oferecidas semestralmente aos alunos do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), da Universidade Estadual de Feira de Santana – cujo eixo é a abordagem de temáticas articuladas à categoria da cidadania, quais sejam: os direitos civis, sociais e políticos; a política nacional do idoso; o conselho municipal do idoso; o direito do idoso à saúde, além do dever do idoso de participação em movimentos sociais e políticos e outros, visando à proposição de estratégias que possibilitem o exercício da cidadania na vida cotidiana.


    A partir do momento em que planejamos uma palestra sobre o tema “Saúde e direito do idoso” como uma das atividades da Oficina Cidadania do Idoso, nos sentimos motivadas a buscar compreender as concepções de saúde-doença e o processo de envelhecimento na perspectiva dos idosos. Partimos do pressuposto de que o envelhecimento, como processo do desenvolvimento humano, é permeado por transformações no corpo biológico, por interferências no mundo social, assim como no pensamento e nas emoções. Assim, acreditamos que as representações sociais do envelhecimento dependem de determinantes biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, educacionais/culturais e políticos, e variam para cada sujeito com base em sua biografia e na história da sociedade da qual faz parte.


    Historicamente, nas últimas três décadas a população idosa brasileira vem crescendo e demandando maior atenção dos serviços de saúde. Isso justifica, em parte, nosso intuito de conhecer e analisar o que pensam, o que sentem e como agem os idosos em relação à saúde-doença e ao processo de envelhecimento.


    De acordo com as previsões de Berquó (1996), no final do século XX o Brasil teria 8,7 milhões de pessoas com 65 anos e mais, sobreviventes de coortes nascidas até 1935. Isto quer dizer que um de cada 20 residentes no país seria idoso; vinte anos mais tarde, essa relação será de um para treze. Projetou, ainda, que 82% de representantes desse contingente populacional viverá nas cidades. Nesta perspectiva, a mortalidade diferencial nos campos e nas cidades, e as migrações que ocorreram no país nas últimas décadas configuraram uma concentração de idosos em áreas urbanas, de mulheres, principalmente, em decorrência da mortalidade masculina. Este fato, segundo a autora, requer atenção para que as cidades se aparelhem de modo a poder oferecer recursos, de várias ordens, demandados pelos idosos.


    Estudos recentes realizados por demógrafos e epidemiologistas brasileiros projetam para o ano 2025 a possibilidade de existirem 33 milhões e 882 mil pessoas acima de 60 anos no país. Nesta perspectiva, o Brasil ocupará o 6º lugar no mundo em termos de população idosa. Duarte (1996) ressalta que a faixa etária que mais deve aumentar no conjunto dessa população é a de 70 anos e mais, significando uma gama de exigências que certamente vai produzir impacto no orçamento das políticas públicas para a assistência à saúde.


    Face a tais estimativas e conhecedoras da realidade dos serviços de saúde no país, perguntamos se a sociedade se encontra preparada para responder apropriadamente aos problemas advindos do envelhecimento. Que sentidos podem ter a saúde-doença e o envelhecimento numa sociedade como a nossa, que culturalmente dá ênfase à juventude como fonte de beleza e força de trabalho, deixando as pessoas de mais de 40 anos fora do mercado de trabalho? É, pois, diante da falta de respostas conseqüentes a tais questões que o envelhecer é prefigurado como um processo temido, que muitas vezes assusta, sobretudo pelo medo do isolamento, pela potencial perda de status familiar e social e conseqüente perda de oportunidades de participação social.


Acreditamos, como Debert (1996, p. 45), que
“transformar os problemas da velhice em responsabilidade individual, em negligência pessoal, em falta de motivação, em adoção de estilos de vida e formas de consumo inadequadas e recusar a solidariedade pública entre gerações [...] é um dos fundamentos dos Estados modernos”


    incompatível com o que defendemos. Neste sentido, os idosos brasileiros deverão contar com políticas sociais que lhes garantam condições para usufruir a vida com dignidade. Acima de tudo, comungamos com o pensamento de Berquó (1996), para quem o cenário é marcado também por um horizonte de solidariedade entre familiares, entre amigos e entre gerações.
 

    Cientes de que o envelhecimento, enquanto processo de desenvolvimento, é complexo, heterogêneo e singular para cada sujeito que o vive, interessa-nos aqui conhecer as concepções de saúde-doença e do processo de envelhecimento de idosos participantes da Oficina Cidadania do Idoso do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Nosso desafio é, ao conhecer as concepções de saúde-doença e do processo de envelhecimento na perspectiva dos idosos e analisar suas representações, podermos, ao mesmo tempo, compreender de que maneira se articulam as relações desse grupo social com a questão da saúde.

AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
    Do ponto de vista sociológico, Durkheim foi o primeiro autor a trabalhar explicitamente o conceito de representação (Minayo, 2000). Usado como representação coletiva, o termo se refere a categorias de pensamento através das quais as sociedades elaboram e expressam suas realidades. Em Durkheim essas categorias não eram algo dado a priori e não eram universais na consciência, mas surgiam ligadas aos fatos sociais, transformando-se, elas próprias, em fatos sociais passíveis de observação e interpretação.


    Marcel Mauss apud Minayo (1994), abordando o mesmo tema, mostrou que a sociedade se exprime simbolicamente em seus costumes e instituições, através da linguagem, da arte, da ciência, da religião, assim como através das regras familiares, das relações econômicas e políticas. Portanto, para ele, são objeto das ciências sociais tanto a coisa, o fato, como sua representação. Conforme Mauss nos alerta, é necessário fazer uma distinção entre os dois níveis, em razão do risco de se reduzir a realidade à concepção que dela fazemos.


    Na análise antropológica atual, os sistemas simbólicos que constituem a cultura de uma sociedade são considerados representações de ordenações existentes na vida social. Além disso, os sistemas simbólicos são modelos para a realidade e organizam, de modo regular e padronizado, a conduta coletiva (Geertz, 1978). Os sistemas simbólicos de idéias e valores que orientam e dão significado à conduta são construídos na prática coletiva, vivida pelos indivíduos e constituem “uma espécie de imagem mental da realidade” (Magnani, 1986, p. 128), isto é, são representações. E são flexíveis – portanto, podem ser alteradas de acordo com as mudanças que ocorrem no conjunto da vida social.
Para Serge Moscovici, um dos autores que vêm trabalhando com essa temática, as representações sociais são conjuntos de conceitos, afirmações e explicações que são verdadeiras teorias do senso comum, que permitem a interpretação e a construção de realidades sociais (Sá, 1993). As representações sociais permitem a aproximação e incorporação de novos elementos à cultura, e remetem a categorias de pensamento, de ação e de sentimento que expressam a realidade seja explicando, justificando-a ou colocando-a em questão.


    Jodelet (1985) define as representações sociais como modalidades de conhecimento prático, orientadas para a comunicação e compreensão do contexto social, material e ideativo em que vivemos. São, conseqüentemente, formas de conhecimentos que se manifestam como elementos cognitivos – imagens, conceitos, categorias, teorias –, mas que não se reduzem jamais a componentes cognitivos (Spink, 1993). Sendo socialmente elaboradas e compartilhadas, contribuem para a construção de uma realidade comum que permite a comunicação. Desse modo, as representações sociais são


“essencialmente, fenômenos sociais que, mesmo acessados a partir de seu conteúdo cognitivo, têm de ser entendidos a partir do contexto de produção. Ou seja, a partir das funções simbólicas e ideológicas a que servem e das formas de comunicação onde circulam” (Spink, 1993, p. 300).


    O entendimento de que as representações estão ancoradas na dimensão da vida social, à qual dão significados, torna necessário apreender o processo de sua produção e representação, como organizam seu sistema de conhecimento do senso comum, de idéias e valores.


    As representações sociais fazem parte de um sistema simbólico que produz um conhecimento sobre o mundo – isto é, atribui significados à realidade. Através dessa rede simbólica de sentidos, é possível pensar o mundo e certas práticas sociais. As representações sociais manifestam-se em palavras, sentimentos, gestos, condutas e se institucionalizam. O problema que se coloca, portanto, é saber em que medida e de que maneira esse sistema simbólico se articula com os conflitos sociais, os exprime e os modifica.


    No início do século XX emergiram estudos de sociólogos e antropólogos, com forte base empírica, que demonstravam ser a doença, a saúde e a morte categorias relacionadas com os modos de agir, sentir e pensar da cada sociedade, que não podiam ser reduzidas a evidências orgânicas, naturais e objetivas. Ao considerarmos tais elementos na definição do que seja a saúde, a doença e a morte em cada sociedade nos diversos momentos da história, passamos a compreender que tais categorias são realidades construídas no seio das culturas.


Para a medicina acadêmica, o corpo humano
“é considerado uma máquina e cada órgão uma peça para o funcionamento da engrenagem, ou seja, a doença acontece no plano físico, aloja-se num órgão e assim deve ser tratada ou reparada” (Nascimento, 1997, p. 6).


    Ao contrário, pensamos que a doença resulta de um processo de inter-relação biológica, socioeconômica, cultural, psicossocial e espiritual que permeia o contexto da história de vida do ser humano. Desse modo, a compreensão do significado global do processo saúde-doença não pode fundar-se apenas nas concepções acadêmicas, negando, muitas vezes, as condições sociais e culturais do ser humano, separando o sujeito do seu contexto, de sua experiência existencial, de sua classe e dos condicionantes de sua realidade.


    As representações dominantes veiculadas sobre a saúde-doença são particularmente concebidas pelos médicos. Uma categoria hegemônica na elaboração tanto do conhecimento, como na imposição de normas e atitudes a respeito do corpo e na definição social da saúde e da doença.


    Minayo e Souza (1989) sintetizam as características que definem a concepção hegemônica de saúde-doença no sistema capitalista: atém-se ao contorno biológico e individual do corpo; separa o sujeito do seu meio, de sua experiência existencial, de sua classe, de sua inserção na produção e dos condicionantes de sua situação; considera o ser humano um ser anistórico (isto é, sem passado e sem projeto de vida); transforma o discurso sobre saúde-doença numa especialidade médica sobre determinado órgão, considerando o corpo doente como objeto da saúde e espaço da doença; é considerada como evento de ordem da natureza, mas faz parte da lógica do mercado, sendo, portanto, de responsabilidade individual.
 

    A concepção de saúde-doença se insere no quadro geral dos problemas de vida como um fenômeno que escapa, em última instância, ao controle dos seres humanos (Montero, 1985; Loyola, 1984). A saúde, no processo atual de desenvolvimento do capitalismo, refere-se à capacidade física para trabalhar, mas também ao próprio processo do cotidiano de vida das pessoas e a seu equilíbrio sempre precário e provisório.


    No que tange ao envelhecimento, Debert (1996) cita três condições inter-relacionadas que dão uma configuração específica à terceira idade e às representações sobre o envelhecimento nas sociedades contemporâneas.


A primeira
“tem a ver com mudanças no aparelho produtivo, que levaram a uma ampliação das camadas médias assalariadas e com os novos padrões de aposentadoria que englobam, entre os aposentados, um contingente mais jovem da população”. Ou seja, a “aposentadoria deixa de ser um marco para indicar a passagem para a velhice, ou uma forma de garantir a subsistência daqueles, que, por causa da idade, não estão mais em condições de realizar um trabalho produtivo” (Debert, 1996, p. 36).


    A segunda relaciona-se com o fato de que os aposentados não podem mais continuar sendo considerados o setor mais desprivilegiado da sociedade, quer seja nos países de capitalismo avançado, quer naqueles em desenvolvimento como o Brasil. Neste sentido, até recentemente,


“tratar da velhice nas sociedades industrializadas era traçar um quadro dramático da perda do status social dos velhos; a industrialização teria destruído a segurança econômica e as relações estreitas entre as gerações na família, que vigoravam nas sociedades tradicionais. Desta perspectiva, a situação atual, em que os idosos se transformam em peso para a família e para o Estado, opunha-se a uma Idade de Ouro, em que eles, dada a sua sabedoria e experiência, eram membros respeitados na família e na comunidade. O empobrecimento, a perda de papéis sociais e os preconceitos marcariam a velhice nas sociedades modernas, que abandonam os velhos a uma existência sem significado.” (Debert, 1996, p. 37).


    Já a terceira se refere à transformação da velhice em um problema social, o que põe em jogo múltiplas dimensões que vão desde as iniciativas voltadas para propostas de formas de bem-estar que deveriam acompanhar o avanço das idades, até empreendimentos voltados para o cálculo dos custos financeiros que o envelhecimento da população trará para a contabilidade nacional. Está relacionada com concepções autopreservacionistas do corpo que vêm sendo reelaboradas desde os anos 70 do século 20. Trata-se da defesa de estratégias instrumentais para o combate da deterioração do corpo, que combinam uma boa dose de disciplina e hedonismo – com ênfase na noção de que o corpo é fonte de prazer – e atribuem ao sujeito não só a responsabilidade pela constante vigilância do corpo, mas também por sua saúde, mediante a adoção de estilos de vida saudáveis.


    As representações sociais do envelhecimento são dinâmicas – estão, pois, sempre se modificando em virtude de diversos fatores.


“Um consenso fácil parece estabelecer-se, mas é a seguir substituído por um discurso dominante que se torna, por um tempo, juiz e parte interessada do e no valor social das idades. A questão é importante, pois as representações sociais e culturais das etapas da duração humana, ao tempo em que organizam, a cada momento, uma visão simbólica do futuro, propõem enquadramentos econômicos e éticos de comportamentos”. (Langevin, 1998, p. 129).


    Dado o fato de que as idades da vida são uma criação arbitrária e uma construção sociocultural, elas são representadas e simbolizadas de maneira culturalmente distintas. Logo, quando se fala em velhice e envelhecimento, fala-se em categorias e grupos de idade, em periodização da vida, vez que as idades da vida não correspondem apenas às etapas biológicas (Guerreiro, 1996).
Também para Motta (1996), a terceira idade é a nova etapa do curso da vida que se intercala entre a aposentadoria e a velhice. Na verdade, é um marcador que hierarquiza “os menos idosos e os velhos mais velhos”.

METODOLOGIA
    Este estudo está delineado numa abordagem analítico-crítica, de natureza qualitativa, das representações sociais do processo saúde-doença e do envelhecimento. Para tal, foi realizado com dez idosos participantes do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia, inscritos na Oficina de Cidadania do Idoso durante o 2º semestre de 1999 a partir dos depoimentos dos alunos na palestra: “O direito do idoso à saúde”.


    No início da década de 90, a Universidade Estadual de Feira de Santana criou o Programa Universidade Aberta à Terceira Idade, com a finalidade de promover uma redefinição de valores, atitudes e comportamentos para que o homem e a mulher da terceira idade fossem reconhecidos como sujeitos autônomos, capazes do exercício pleno dos direitos de cidadania.
 

    Para a coleta de dados, em um primeiro momento, discutiu-se o processo saúde-doença, a partir das seguintes questões norteadoras: “O que você entende por saúde? O que representa para você o envelhecimento e a construção da 3ª idade?” Isso permitiu discorrer sobre o tema proposto, sem respostas sugeridas ou condições pré-fixadas.
 

    No segundo momento, os alunos elaboraram um texto escrito no qual abordavam o direito do idoso à saúde. O saber de senso comum que perpassa as produções discursivas dos idosos, veiculadas oralmente em sala de aula, e os textos elaborados foram interpretados mediante a técnica de análise de discurso, possibilitando uma primeira aproximação com suas representações do processo saúde-doença e do envelhecimento.
 

    Por uma questão ética, solicitamos aos idosos a permissão, por escrito, mediante um Termo de Consentimento Esclarecido, para utilizar seus depoimentos como fonte de dados para o presente estudo, o que foi aceito prontamente. Também asseguramos que seus nomes seriam preservados, razão pela qual os trechos dos discursos são identificados apenas pela idade e sexo.


    Para a interpretação dos dados, tomamos como base a técnica de análise de discurso, tal como apresentada por Minayo (2000). Os discursos foram ordenados e classificados em leituras sucessivas, que nos permitiram compreender as representações de saúde-doença e de envelhecimento do grupo de idosos participantes da Oficina de Cidadania do Idoso, na medida em que revelam fragmentos dos seus modos de sentir, pensar e agir.

RESULTADOS
    A análise dos discursos permitiu apreender aspectos do sentir, pensar e agir dos idosos no que tange ao processo saúde-doença e ao envelhecimento, revelando-nos que suas concepções sobre o que seja saúde, os modos de preservá-la, a doença e os modos como vivem o próprio envelhecimento mudam a partir de sua entrada na UATI – momento em que passam a ver a si mesmos frente a novas formas de aprender e conviver. Isso tudo coloca não só outras possibilidades de conhecimento como novos e importantes desafios, o que para alguns configura a construção de um novo projeto de vida, no sentido de uma revisão de valores, interesses, mudança na auto-imagem e engajamento na luta pelo reconhecimento de seus direitos.
 

    Diversos elementos perpassam os discursos dos idosos sobre o processo saúde-doença e o envelhecimento. A análise, informada pela fundamentação teórica, permitiu-nos agrupá-los em torno de dois núcleos centrais relativos às imagens dominantes.

O PROCESSO SAÚDE-DOENÇA: DO EQUILÍBRIO FUNCIONAL DO CORPO AO DESAFIO DO CUIDADO DE SI
    As concepções de saúde e doença dos idosos transitam de um discurso no qual o olhar está voltado para os processos orgânicos que garantem a saúde e que, em caso de falência, denunciam a doença, para um olhar cujo foco passa a ser a responsabilidade individual para se evitar a doença e manter a saúde.


“Viver numa boa, sem sentir nada. É ter renda boa” (70 anos, mulher).
“Fazer exercício físico, ser feliz. Não ter problema em nada” (76 anos, homem).
“Saber se manter. Não precisa ser rico [...] É não fumar, não beber e dormir cedo como hábitos de vida” (72 anos, homem).
“Harmonia. Saber se manter, se cuidar, dar a volta por cima. É ter uma alimentação balanceada, sem gordura” (68 anos, mulher).


    No primeiro e segundo trechos dos discursos, a saúde é figurada como ausência de sintomas ou de problemas, o que fica evidente na expressão “sem sentir nada”; tem também o sentido de uma “vida desimpedida”, ou seja, poder “viver numa boa”. No segundo, terceiro e quarto trechos, a saúde é relacionada a práticas individuais ou hábitos de vida considerados saudáveis, como “fazer exercício físico”, “não fumar, não beber e dormir cedo” e “ter uma alimentação balanceada, sem gordura”.


    A saúde é concebida como uma condição decorrente do estilo de vida de cada um. É, portanto, reduzida à responsabilidade individual no seguimento de normas de conduta e hábitos que garantiriam uma vida com saúde, na medida em que esta é mantida por um certo estilo de viver – ou melhor, por um estilo certo de viver, considerado saudável. A saúde como objeto a ser preservado exige, portanto, um estilo de vida adequado. Tal concepção nos sugere que a saúde é algo que se obtém mediante certo enquadramento das condutas individuais naquilo – medidas – que o modelo biomédico enfatiza como sendo capaz de proteger a saúde e prolongar a vida das pessoas, a cada momento. Por se tratar de um grupo que tem acesso a palestras de profissionais de saúde e gerontólogos, além de contato com matérias sobre saúde veiculadas na mídia, é o momento de perguntarmos se tais representações não incorporam elementos dominantes do discurso médico – em especial, o da gerontologia.
 

    No conjunto dos discursos, a saúde é representada como algo relativo ao funcionamento harmônico do corpo-mente, o que exige dos idosos a capacidade de cuidar de si, pela adoção de um estilo de vida saudável. Entretanto, por sua natureza contraditória, tais representações também apontam para a relação da saúde com as condições de vida e o próprio comprometimento dos idosos, como responsáveis por seu projeto de vida. Nesta perspectiva, saúde-doença resulta de um processo de produção social que guarda a mais estreita relação com as condições de existência cotidiana, de modo que perpassa pelo acesso a bens econômicos e sociais, garantindo a qualidade de vida de uma população para um “‘viver desimpedido’, um modo de ‘andar a vida’ prazeroso, seja individual, seja coletivamente” (Mendes, 1995, p. 240).


“A concepção de processo saúde-doença tem evoluído, consideravelmente, de maior vinculação com as doenças e a morte, isto é, aproximações negativas, até concepções mais vinculadas à qualidade de vida de uma população, um ponto de encontro, um produto social, ou seja, uma aproximação positiva” (Mendes, 1995, p. 235).


    A saúde, aqui entendida como resultante de um processo de produção social que guarda a mais estreita relação com as condições de existência, é regulada, em grande medida, pelo acesso a bens econômicos e sociais que garantem a qualidade de vida na sociedade da qual o idoso faz parte para um “viver desimpedido”, um modo prazeroso de viver a vida, tanto individual como coletivo.


    Essa representação do processo saúde-doença parece apropriada a uma imagem da terceira idade como “[...] momento na vida em que as pessoas encontram-se com disposição, saúde e liberdade para agirem por si próprias” (Guerreiro, 1996, p. 155).


    Para os idosos, a saúde é representada como algo ligado à manutenção do corpo e à disposição para a vida. Ter saúde é poder satisfazer as necessidades: “Saúde em si é zelar pela saúde, tratar e cuidar de si para evitar distúrbios, pois se sabe que a assistência é falha” (75 anos, homem).


    A responsabilidade pela própria saúde se configura como uma medida individual, grandemente influenciada pelas prescrições de gerontólogos e de outros profissionais de saúde não-especialistas. Ao mesmo tempo, ela parece surgir como uma resposta dos idosos ao se verem diante da precariedade da assistência prestada nos serviços de saúde – em outras palavras, ao serem confrontados com a ineficácia da assistência oferecida, conforme o trecho do discurso anterior.

    A instauração da Política Nacional de Saúde do Idoso representou sem dúvida um ganho para o grupo de idosos, principalmente em termos de cobertura médico-assistencial. O desafio que se apresenta na atualidade se refere à oferta de serviços diversificados e qualificados, com profissionais capazes de acolher suas demandas, numa perspectiva ética e cidadã, que alie competência técnica, no sentido da operatividade de seu saber específico à capacidade de escuta, acolhimento e elaboração de respostas pertinentes e eficazes.

O ENVELHECIMENTO NO COTIDIANO DO IDOSO: DA FINITUDE AO (RE)COMEÇO DE UMA NOVA VIDA
    Neste momento é necessário fazer uma distinção nos modos como mulheres e homens idosos concebem o envelhecimento, por razões que serão discutidas mais adiante.


“Fim. Estava no fim, depois da terceira idade comecei a viver. Ter mais conhecimento dos direitos” (75 anos, mulher).
“Apesar dos meus 70 anos, comecei a viver na terceira idade. Estava muito desprezada” (70 anos, mulher).
“É bom. Já vivi muito. É liberdade, pois só andava em casa” (76 anos, mulher).


    Nos três trechos acima, o envelhecimento é representado como um tempo que a mulher idosa tem para viver para si. O envelhecimento configura-se como o período da vida em que os idosos podem dedicar a si mesmos, a seus próprios projetos. É o tempo no qual se pode viver a própria vida, o que é particularmente significativo para a mulher idosa, por ter assumido a responsabilidade pela casa e educação dos filhos “quase sozinha”. É um tempo de “liberdade”, de recomeçar a viver. Assim, o envelhecimento figura como a possibilidade de auto-realização num momento da trajetória de vida que é vivido para si.


    Bastide (1999, p. 8), ao discutir a relação entre a idéia de tempo e envelhecimento, diz que a trajetória de vida da mulher é marcada pelo cruzamento do tempo biológico e do tempo social, ou seja, o do calendário da reprodução biológica e o da produção social. Com o envelhecimento, a mulher descobre que nunca teve tempo para si própria. O que se chama a “libertação da mulher” é, sobretudo, a reconquista de um tempo de viver. Tempo em que, aliviada da sua carga de atividades na criação dos filhos, a mulher se sente livre para fruir a própria vida.


    Nesse mesmo sentido, Langevin (1998, p. 142) analisa que a valorização social das idades das mulheres está mais ligada “ao calendário da vida privada”, de “constituição da família”. O discurso de uma das mulheres do estudo é emblemático. “Apesar dos meus 70 anos comecei a viver na terceira idade. Estava muito desprezada”. Os discursos das mulheres em seu conjunto e este último, em particular, remetem ao que Motta (1996) define como “liberdade de gênero”. Uma liberdade que parece se sobrepor à condição geracional ou de classe.


    Para os homens, a valorização social das idades está ligada aos ritmos socioprofissionais nas diversas etapas da vida. A aposentadoria é um importante marcador social do processo de envelhecimento.


“Aposentei e fiquei me sentindo velho, entrei na UATI e reanimei. É pensar estar velho no subconsciente e perder espaço. Não estou mais perdendo espaço em casa, além de andar, fazer tudo, tirar de letra os problemas, não me entregar” (72 anos, homem).


    Nesse trecho do discurso, a aposentadoria aparece como marcador do “sentir-se velho” e a entrada na UATI, como “reanimação”. O que primeiro nos chama a atenção é o fato de que, para além das determinações de ordem biológica, o “sentir-se velho” parece estar fortemente imbricado com uma construção simbólica que o idoso faz do ser velho, mediada pela cultura. Talvez a entrada no Programa Universidade Aberta à Terceira Idade se configure como “reanimação”, por ser um espaço que possibilita a descoberta de capacidades de enfrentamento e novas possibilidades de interação sociofamiliar, traduzidas pela atitude de “não entrega” e pela estratégia de ocupação de “espaços”. Em segundo lugar, desperta-nos para a idéia de que os estereótipos associados à velhice podem ser enfrentados de maneira propositiva, ou pró-ativa. Não se trata, portanto, de contrapor as visões estereotipadas do que é um velho ou uma velha na nossa sociedade a outras categorias ou noções supostamente corretas, mas sim, de negar-se, na prática concreta, no cotidiano mesmo, a incorporar imagens e valores que não são seus ou de seu grupo, reafirmando-se como cidadão.


“Um momento crucial de passagem da maturidade à velhice dá-se com a aposentadoria, reenvio do trabalhador ao privado e à inatividade oficial” (Motta, 1996, p. 125).


    Ao se considerar o impacto da aposentadoria na vida social do idoso numa sociedade cuja referência fundamental do fazer-se sujeito e cidadão é a inserção no mundo do trabalho, somada à diminuição das obrigações familiares, tal momento configura-se como uma transição significativa em direção à velhice social. A representação do que é um velho na atualidade se vincula a uma imagem cujo pólo negativo ligado à idéia de inatividade, vai sendo modificado por novas imagens ligadas às possibilidades que efetivamente surgem da ocupação de outros lugares sociais, que não o de objeto descartável.


    No trecho do discurso a seguir, o envelhecimento é representado como o “saber viver”. Um saber viver que se traduz por uma experiência de vida que permite tomar decisões cuidadosas, por assim dizer, maturadas. O envelhecimento é o tempo no qual quem já muito viveu pode utilizar-se de sua sabedoria para viver mais e melhor: “É saber viver, ser cauteloso em muitas coisas, não ser exagerado, pensar no dia de amanhã”. (80 anos, homem).


    Os discursos, em seu conjunto, reportam a uma imagem positiva do envelhecimento, diferente da usual, marcada pela negatividade das perdas de ordem física, econômica, afetiva e social. Os idosos se dão conta de que a percepção do próprio envelhecer é sentida por eles, inicialmente, como o “princípio do fim”. Entretanto, tendo como mediadores a experiência de vida e os conhecimentos adquiridos na UATI, reconstroem uma nova perspectiva de vida, cujo eixo é uma nova agenda de interesses pessoais.


    A UATI-UEFS figura nos discursos como um lugar que possibilita acontecimentos significativos na vida dos idosos, interferindo na produção de uma nova mentalidade e na própria forma como a velhice passa a ser vivida após a inserção no programa, no sentido de uma revalorização da vida na sua totalidade.


    A esse respeito, Guerreiro (1996), em estudo sobre as representações do processo de envelhecimento e da velhice, conclui que a participação na Universidade para a Terceira Idade é uma experiência cuja singularidade torna irrelevante a idade como marcador das experiências vividas.


    Também Neri e Cachioni (1999, p. 115), em ensaio no qual discutem a relação entre velhice bem sucedida e educação, afirmam:


“[...] as novas aprendizagens promovidas pela educação formal e informal são um importante recurso para manter a funcionalidade, a flexibilidade e a possibilidade de adaptação dos idosos, condições estas associadas ao conceito de velhice bem-sucedida”.


    Assim, as oportunidades educacionais são apontadas como importantes antecedentes de ganhos evolutivos, porque se acredita que elas intensificam os contatos sociais, proporcionando novas vivências, troca de conhecimento e aperfeiçoamento pessoal.


    Apesar de a tônica geral dos programas dirigidos aos idosos ser, muitas vezes, assistencialista, mediante os estereótipos e preconceitos por meio dos quais se supõe que a velhice seja tratada na nossa sociedade – com base na concepção do “idoso como um todo integrado, necessitando de um atendimento médico especializado e que, ao mesmo tempo, busca reencontrar seu lugar na sociedade, recuperando assim, a sua auto-estima” (Debert, 1997, p. 41) –, os discursos mostram os idosos na busca de caminhos para “andar a vida”, recuperando ou dando-lhe novo(s) sentido(s), na perspectiva da satisfação de suas necessidades, em especial, a de realização pessoal: “Envelhecer é um privilégio, é conseqüência de gozar a vida”. (78 anos, homem).


    Reafirmamos que a “caminhada” para o envelhecer é um processo que atinge todas as dimensões da vida. O envelhecimento vivido e sentido com paixão produz saúde, e é sinônimo de vida vivida em plenitude, pois o foco de atenção do idoso não está nas perdas – rugas, flacidez, cabelos brancos, invalidez e doenças. Muito embora as perdas ocorram, elas não são preponderantes na definição dos modos de sentir, pensar e agir daquele que envelhece. Envelhecer bem depende, pois, do equilíbrio, sempre instável e dinâmico, entre as limitações de cada um (que se vê com mais idade) e de seus recursos e potencialidades para lidar com novas configurações corporais, novas demandas pessoais e os eventuais problemas do cotidiano. Daí a importância de instâncias de apoio social, rede de amigos e grupos de interesses comuns e da luta contra a discriminação e o preconceito em torno do velho na nossa cultura.

    O conceito de velhice bem-sucedida se refere fundamentalmente à idéia de


“que na velhice fica resguardado o potencial de desenvolvimento, dentro dos limites da plasticidade individual permitida pela idade e estabelecida por condições individuais de saúde, estilo de vida e educação” (Neri; Cachioni, 1999, p. 121).


    Outrossim, entendemos que a plenitude desejada se desenha conforme as condições de vida dos idosos na sua relação com a família e a sociedade, particularmente sob a responsabilidade do Estado, dentro dos contextos socioeconômico, político e cultural.


    De um modo geral, neste estudo os idosos se reportam ao envelhecimento com uma abordagem diferente da usual, que o caracteriza inicialmente como o “princípio do fim”. Cabe destacar que, após a entrada na UATI, eles se vêem na perspectiva de “uma nova vida”, plena de objetivos e encontros de cada um consigo e com a sociedade, o que é denominado por Debert “fonte de recursos”. Na perspectiva de Debert (1997, p. 39),


“a representação do idoso como ‘fonte de recursos’ surgiu como uma resposta aos resultados de pesquisas que mostravam que os mais jovens tendiam a superestimar a realidade problemática dos mais velhos”.


    As pesquisas empíricas com abordagens qualitativas realizadas com grupos de idosos mostraram que esse grupo projetava uma imagem mais positiva de sua situação do que aquela carregada de pessimismo – o idoso como “fonte de miséria” –, que servia de pressuposto à teoria gerontológica e alimentava uma série de mitos relacionados com as imagens negativas construídas por outros grupos sociais que não os próprios idosos.


    A experiência de participação dos idosos da UATI-UEFS na Oficina Cidadania do Idoso expressa nos discursos sobre o envelhecimento, mostrando que novas formas de sociabilidade e de lazer marcam essa etapa da vida, reciclam identidades anteriores e redefinem as relações sociais, especialmente com a família e amigos (Debert, 1996). Portanto, cremos que não está ausente da perspectiva do idoso como “fonte de recursos” uma nova forma de “ver o mundo”, recolocando-se (o idoso) como um ser com auto-estima e auto-imagem “positivas”, em busca de um viver prazeroso, no sentido de uma vida produtiva.
Acreditamos que os programas para a terceira idade poderão se constituir como exemplos privilegiados para demonstrar que a experiência de envelhecimento (singular para cada sujeito, se define nos processos da vida, na relação de cada um consigo mesmo e com sua cultura) pode ser vivida plenamente. Para que isso ocorra, temos como imperativo a construção de uma sociedade que respeite o idoso na sua singularidade, sabedoria e diferença.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
    As concepções de saúde-doença remetem a uma visão da saúde como algo relativo ao harmônico funcionamento do corpo-mente, exigindo dos idosos a capacidade de cuidar de si, pela adoção de um estilo de vida saudável. Ao mesmo tempo, apontam para sua relação com as condições de existência que determinam a qualidade de vida e o próprio comprometimento pessoal, enquanto responsáveis por seu projeto de vida. A concepção do envelhecimento é dinâmica e representa finitude em certos momentos da vida, mas vai-se modificando a partir da inserção no Programa Universidade Aberta à Terceira Idade da UEFS, no sentido de um recomeço, de um pensar e agir com base nos direitos e deveres como cidadãos.
 

    Enfatizamos a necessidade de educação para a velhice, com a construção social de uma imagem positiva do envelhecimento: na família, mediante a convivialidade e participação na vida cotidiana, proporcionando espaço de trocas; na escola, desde a infância e adolescência, via promoção de encontros e conversas com idosos da comunidade e a inclusão de temas sobre o processo de envelhecimento no currículo; no trabalho, valorizando as capacidades, habilidades profissionais e experiências de vida dos idosos, bem como preparando-os para a aposentadoria.


    Na luta pela construção de uma imagem positiva do envelhecimento, é imperativo levarmos em consideração a disponibilidade para o aprendizado e para novas experiências de vida que conferem uma identidade aos idosos como grupo e uma singularidade ao envelhecimento de cada um. Destacamos os programas para a terceira idade como espaços nos quais partilhar de experiências, ter acesso às teorias médicas, psicológicas e sociais que investigam o envelhecimento e o debate constante de temáticas de interesse dos idosos na atualidade criam condições de possibilidade para a reformulação de padrões tradicionais de envelhecimento e para a exploração de identidades e novas formas de auto-expressão.


    O grande desafio do país será estabelecer uma agenda social neste início de século que contemple a inserção social dos idosos e a luta contra o preconceito. Isso exige a adoção de uma política social comprometida, responsável e empenhada com o desenvolvimento dos idosos, como sujeitos importantes na sociedade, e que não os responsabilize pela “miséria do envelhecimento”.

NOTAS
¹ Professora Adjunta do Departamento de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana. Doutoranda em Educação no Programa de Pós-graduação em Educação da Faculdade de Educação, da Universidade Federal da Bahia.
² Professora Titular do Departamento de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.

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ABSTRACT
It is an analytical-critical study of the social representation of the health-disease and aging processes, carried out with the elder participants of the Program of the Open University of Third Age, at Feira de Santana State University, state of Bahia; enrolled in the Aging Citizen Workshop. The objective of this work was to know and to analyze the concepts of health-disease and the aging processes from the elderly’s point of view. Data collection was made through semi-structured interviews. The concept of health-disease recalls the biologicist’s view, where health is reduced to a balance between body and mind, as it points to the relationship with life quality conditions and the commitment of elder people, as social subjects responsible for the adoption of a healthy life style; the concept of aging as an end changes when they enter UATI, since they begin to thing again and to act based on their rights and duties as citizens.
KEYWORDS: Aging; Aging Health; Disease; Rural Workers; Human Rights; Feira de Santana, BA.


Recebido para publicação em: 19/9/2005
Aprovado em: 07/11/2005
Correspondência para:
Profª. Maria Geralda Gomes Aguiar
E-mail: geaguiar@uefs.br

 

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